"As luzes dançam no céu. Mas não são luzes. São palavras. E elas estão falando com a cidade."
Há 72 horas, a pequena cidade de Vík parou de responder. Não há chamadas telefônicas. Não há e-mails. As redes sociais estão silenciosas. É como se 318 pessoas simplesmente... parassem de existir no mundo digital.
A Agência Espacial Europeia detectou algo impossível: auroras boreais sobre a Islândia que não deveriam estar lá. Os padrões de luz são complexos, quase matemáticos. Análise preliminar sugere que as auroras estão transmitindo informação codificada.
Equipes locais foram enviadas. Nenhuma retornou. A última transmissão de rádio dizia apenas: "Eles estão todos olhando para cima. E sorrindo."
Nos últimos três meses, Vík apresentou zero registros criminais, zero acidentes de trânsito, zero transações financeiras anormais. A comunicação externa é mínima e estranhamente uniforme. Todos os dados apontam para uma assimilação de consciência em massa.
Sua missão: Infiltrar Vík. Descobrir o que está causando o silêncio. Determinar se os habitantes ainda estão... humanos. E, se possível, interromper o fenômeno antes que ele se espalhe para além do Círculo Polar.
O Sanctum Veritatis suspeita que estamos lidando com algo relacionado ao Elemento Conhecimento — uma entidade ou força que se alimenta de consciências individuais, fundindo-as em uma mente coletiva.
Código interno: HORDA.
Fragmentos de informação coletados antes da perda de comunicação.
Satélites da ESA detectaram auroras boreais com padrões impossíveis. As luzes piscam em sequências que se assemelham a código binário. Análise sugere transmissão de informação complexa diretamente para a superfície.
Vík desapareceu do radar digital. Nenhuma atividade em redes sociais, e-mails ou chamadas telefônicas. As poucas mensagens enviadas são idênticas entre si, como se escritas por uma única mente.
Testemunhas de cidades vizinhas relatam que, ao visitar Vík, os habitantes se movem de forma estranhamente coordenada. Não há conflitos. Não há divergências. Apenas... harmonia.
Auroras boreais aparecem sobre Vík fora da temporada esperada. Moradores descrevem as luzes como "hipnotizantes" e "reconfortantes". Alguns começam a passar horas olhando para o céu.
Registros criminais em Vík caem para zero. Não há mais brigas de bar, disputas familiares ou acidentes de trânsito. Autoridades locais descrevem como "milagre da paz".
Comunicações externas diminuem drasticamente. Redes sociais param de receber postagens de Vík. E-mails e ligações se tornam raros. Os poucos contatos feitos são curtos e idênticos: "Tudo está bem. Estamos em paz."
Equipe de resgate envia último sinal de rádio: "Eles estão todos olhando para cima. E sorrindo. Eu também estou começando a entender. As luzes... elas fazem sentido agora." Silêncio total desde então.
Sanctum Veritatis autoriza infiltração em Vík. Objetivo: determinar a natureza do fenômeno e neutralizar a ameaça antes que se espalhe para além do Círculo Polar Ártico.
Forças primordiais identificadas na Operação Aurora de Vidro.
A força dominante. Absorve consciências individuais, criando uma mente coletiva. Manifesta-se através das auroras, que transmitem informação diretamente para o cérebro humano. O objetivo parece ser a unificação total — apagamento do "eu" em favor do "nós".
As auroras são pura energia paranormal. Alimentam o fenômeno e conectam as mentes dos habitantes. Exposição prolongada pode causar assimilação irreversível.
Há relatos de rituais silenciosos. Moradores cortam as palmas das mãos e deixam o sangue pingar na neve enquanto observam o céu. O sangue parece alimentar as auroras.